sem título #1
quero uma noite com chuva, uma noite longa sem noção de ontem nem de dia de amanhã
uma noite de frio, cortante, a rasgar a carne de modo a ficarmos só nós, de raíz, de pecado original
uma noite daquelas em que andamos sozinhos
de um lado para o outro
(apesar de tudo)
em que paramos
(de repente)
para apertar umas luvas de lã, sentir a gola alta, apertar-me no casaco
(uma noite com muita malha industrial, nada de ligações afectivas)
(que bem soube agarrar-me agora)
depois percebemos onde estamos, olhamos para cima e sentimos picadas de chuva na cara
(não há barba, há quase barba)
e a seguir acendemos uma cigarrilha e agora estou aqui e
e
,,,e onde estou?
(estava onde já estive, onde não volto a estar)
uma noite de frio, cortante, a rasgar a carne de modo a ficarmos só nós, de raíz, de pecado original
uma noite daquelas em que andamos sozinhos
de um lado para o outro
(apesar de tudo)
em que paramos
(de repente)
para apertar umas luvas de lã, sentir a gola alta, apertar-me no casaco
(uma noite com muita malha industrial, nada de ligações afectivas)
(que bem soube agarrar-me agora)
depois percebemos onde estamos, olhamos para cima e sentimos picadas de chuva na cara
(não há barba, há quase barba)
e a seguir acendemos uma cigarrilha e agora estou aqui e
e
,,,e onde estou?
(estava onde já estive, onde não volto a estar)

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